segunda-feira, 13 de julho de 2009

do crescer

Costura a alma rasgada com a linha do tempo. Cobre-se do mais puro algodão. Vermelho. A benção na saída. Mais uma vez solta o coração nos dias, que agora já é dona de si. Numa proporção maior. Mede as palavras com sabedoria de quem já secou um mar nos lençóis. E a paciência virou mãe de tão presente e amiga. Toma aulas de som com Bem- te- vi e aprende, cuidadosamente, a tecer com criaturas fazedoras de seda.
Cultiva um jardim de possibilidades dentro dos dias, ainda criança no cultivo. Mas com fome de gigante na colheita do trabalho.
Suspende a tristeza num suspiro. Fecha os olhos ao entregar nos ouvidos do Senhor uma estrela que lhe foi dada ainda no ventre. Possui mais de 3 décadas na barra da saia. Os cabelos dançando no vento e no peito uma pomba em espírito e verdade. Aprende todo dia que o que há de vir com fé tem muita força




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quarta-feira, 8 de abril de 2009

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De volta-em-volta.
Sempre passando pelo mesmo lugar...

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

a voz de dentro

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sem soltar,
descansamos
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sábado, 27 de dezembro de 2008

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Rasga as bordas da saia, e anda. A vida , por vezes, dança, tão nua, entre filós. E muda. Dos passos: caminha de costas pro tempo, escasso. Ramo de trigo entre os seios pra lembrar do que farta. Faz promessas em dia de lua, cheia. Faz colar de lentilhas. Borda de azul a saia branca, esse desejo de ter oceano nas ancas. Flores do campo nas mãos, passos firmes e lentos. Trovões rasgam o véu do tempo. Presentes passado e futuro. Relógio de sol. Im-pulsos. Risca em vermelhos e laranjas a parede branca descascada. Põe fogo-artifício sobre lençóis. Depois improvisa com bambus uma cruz. Acentua sobre as cinzas, as flores. Traça o sinal-da-cruz na fronte. Quarta-feira, cinzas. E lembra que sempre é possível re-começar. Nas mãos: nada, desejos: alguns de alma, e ela escreve areia ao redor das ruínas. Ergue um templo de palavras, sacras. Faz preces. Tece apreços. Lembra sem pudor até inflamar os olhos. Vibra a alma em sol sustenido com sétima. Não traça caminhos, só ascende às estrelas. E espera. O ano rebenta o tempo para deixar sua marca. E ela demarca em seus braços um tempo que não há de passar. Jamais.



Cecília Braga

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Meus amores.

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... e a tensãoansiedadevontade por aqui é grande.
Queria vocês por perto.

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quinta-feira, 24 de julho de 2008

Do que não é teu.

Aí, me veio a lembrança daquela rua que terminava numa escadaria por onde não passo mais. Tive a impressão de caminhar lá contigo. Só que nesse tempo, nem sonhava com a tua existência. Primeiro, achei engraçado. Depois, triste. Não é direito roubar lembranças que não são tuas. Não é. O presente já é tão grande e tão teu. O antes não. O antes não compartilho.

sábado, 12 de julho de 2008

Entrega


Suspirou. Três vezes, como quem traça o sinal da cruz com o ar. Amor Trino, não tão santo. E o zelo de cerrar os lábios pra não macular o silêncio. Expira, e apressa o passo. Urge, mas o quê?. Dias de se percorrer com passos apostólicos,tempos de cruz e espada, por vezes, é preciso morrer pra se salvar daquilo que acredita. E viver mais. Colocou as mãos na terra, esboçou os gestos de Deus, soprou. Não abstraiu. Não mais. Cansou os joelhos dobrados, as mãos em postas. Cansou as pálpebras de cerrar os olhos. A pupila dilatou a alma. Dos cultivos, vale os sinceros. Os dedos, bulidos de terras, andam. Que desenho teria feito Jesus? Não atire a primeira pedra. Nem a segunda, por favor. O pensamento ganha geometria é na ponta dos dedos, no traçar esboçado na areia, e só porque primeiro soube se medir com precisão de passos o acertar das idéias. Quando se alongam os dias e os silêncios, entendas, ela longeia, pra se precisar inteira e não atingir medidas. Por favor, no abrigo não se deseja mais a palavra-farpa unhada nas paredes. Desentendes os ciclos, mas queres a beleza cheia, lua, nova-crescente presa em teus quartos. Criança poupada de chão, proteção que cerceia. Se vai, coração descobre estações de ser, sempre novas...por antigos caminhos distantes. Enquanto, tu arrancas as orquídeas. Rasga o raro entre os dentes, e deixa luir o que unia. Não estar, de quando em quando, é se refazer pra se render melhor, mostrar a cicatriz. Ela prefere ainda a caixa postal vazia, a palavra quente de um sorriso que não se pode ver, do que o estragar da fruto pela hipocrisia da seiva, puro veneno. Tez de Brutus. Tem as mãos sujas, a cara maltratada de sol, do que escapa ás proteções, mesmo tantas, por isso, se te dedicou o zelo dessa muda em flor, foi na vontade de afetar o cultivo, empunhar ao sol esse amor, e te dedicar a possibilidade de aprender que todo gesto é semente, e por isso só sabe multiplicar. Pensa no sete, no Caio Fernando, na sorte, em não se perder dos encontros, e que pode ser doce. E tu, sem achar o tom, descobres que: quando o sentimento não encontra nas palavras veste, ele escapole, na pausa entre os acordes, ausência amamentando nos braços uma presença que freme. Um suspiro.